Só o projeto Serra Sul (S11D) criará mais de 14 mil empregos, mas escassez de mão de obra treinada é obstáculo
O setor mineral no Pará vive um ótimo momento. A expectativa é de que até 2014 o Pará receba US$ 40 bilhões em investimentos no setor que, após a crise econômica mundial, está aumentando seus investimentos nos projetos já existentes e ampliando sua capacidade em novos projetos, como tem feito a Vale, com o projeto Serra Sul (S11D), que investirá US$ 11,2 bilhões nos próximos anos no Estado, gerando mais de 14 mil empregos. “Os elos que ligam a extração à transformação mineral também serão intensificados em 2014, porque além de receber uma nova refinaria de alumina, em Barcarena, o Pará adentrará de vez na siderurgia, por meio da produção de bobinas e placas de aço”, disse o presidente do Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral), Eugênio Victorasso.
O novo cenário do setor mineral no Pará é bastante positivo, segundo Victorasso. De acordo com ele, a verticalização da produção de ferro atrairá novos investimentos para o Estado, como empresas de material ferroviário, naval, tubos, móveis, botijões, eletrodomésticos da chamada “linha branca”, como geladeiras e fogões, entre outros segmentos. Com isso, além de alavancar a economia, aumentará a oferta de empregos e a geração de renda. A estimativa do setor produtivo é de que para cada emprego formal direto gerado na indústria extrativa, outros 13 postos de trabalho são gerados ao longo da cadeia produtiva.
O coordenador do Instituto Brasileiro de Mineração da Amazônia (Ibram) e também coordenador do Simineral, André Reis, destaca que o setor mineral responde por 8,5% do PIB dos Estados da Amazônia Legal. Porém, a estimativa é de que após a implantação de projetos da cadeia produtiva mineral, como a siderúrgica Alpa, a participação aumente para cerca de 20% do PIB. “O Pará de hoje tem o setor produtivo que mais investe e que menos degrada, que atua com responsabilidade sócio-ambiental e que vai trazer desdobramentos para a economia paraense, sobretudo a partir da consolidação da siderurgia no Estado”, disse André Reis.
A avaliação do coordenador do Ibram é também bastante positiva para os próximos dez anos. “Em dez anos, o Pará terá uma indústria extrativa ainda mais forte, dos pontos de vista, qualitativo e quantitativo, e com uma indústria de transformação mineral consolidada, proporcionando condições de multiplicação do emprego e renda, através das novas indústrias que estão por vir”, disse Reis, acrescentando que a geração de emprego e renda no setor aumente em pelo menos 15% na próxima década.
Victorasso destaca, no entanto, que embora o cenário atual seja excelente e as expectativas para a próxima década, melhor ainda, é preciso que haja mais investimentos públicos na formação e qualificação profissional para atender a demanda que a indústria terá nesse período vindouro. “Alguns desafios ainda precisam ser vencidos, entre eles, superar a escassez de mão-de-obra qualificada, pois a carência de trabalhadores qualificados na cadeia produtiva mineral ainda é um dos principais obstáculos enfrentados pelo setor”, alertou o presidente do Simineral, destacando que o número de geólogos e engenheiros formados a cada ano é insuficiente para suprir a demanda local do setor.
Projetos (excluída a Vale) | Metal / Minério | Município |
Teck Cominco | Níquel | Parauapebas e Curionópolis |
Gm4 Grupo Oportunity | Ferro | Parauapebas |
Companhia Nacional de Mineração | Ouro | Cachoeira do Piriá |
Iamgold | Ouro | Cumaru do Norte e Santana |
Vertical | Ferro | Curionópolis |
Xstrata | Cobre | Parauapebas |
Xstrata | Níquel | Xinguara |
Aura Gold | Ouro | Santa Maria Cumaru |
Mineração Caraíba | Cobre | Tucumã |
Codelco | Cobre | São Felix do Xingu |
Codelco | Ferro | Bannach |
Votorantim Metais | Níquel | Xinguara |
Estrela | Ferro | São Fenix do Xingu |
Brazauro, Eldorado | Ouro | Itaituba |
Verena | Ouro | Altamira e Senador José Porfírio |
Serabi / Eldorado | Ouro | Rurópolis |
Rio Tinto | Bauxita | Monte Alegre e Alenquer |
Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) | Bauxita | Paragominas, Ulianópolis, Dom Eliseu, Rondon e Goainésia do Pará |
Fonte: Fiepa - Programa Fornecedores do Pará
Minérios e Minerales
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